Quatro fases. O banco só entra na última.
A maioria das empresas endividadas faz a mesma coisa: liga para o gerente e pergunta o que dá para fazer. A partir daí a conversa gira em torno do número que o próprio credor informou, e o resultado é o que o credor puder conceder.
O Método Issa inverte a ordem. Três fases de apuração antes de qualquer contato — e a empresa chega à mesa sabendo coisas que a outra parte não esperava que ela soubesse.
- 01Raio-X
O passivo real, não o que o gerente disse
SCR do Banco Central e contratos originais, cruzados operação por operação: saldo, modalidade, garantias, coobrigações e dívidas já cedidas a fundos.
- O que entrega
- Um levantamento verificável, no lugar de um número aproximado.
- Por que existe
- Não se audita contrato que não se sabe que existe, e não se negocia posição que não se conhece. É a única fase que não pode ser pulada.
- 02Laudo
Auditoria contra a taxa média do Banco Central
Quatro verificações objetivas por contrato: taxa efetivamente aplicada, taxa média da modalidade no período, multa moratória e cumulação de comissão de permanência.
- O que entrega
- Um laudo que serve tanto na mesa de negociação quanto em juízo.
- Por que existe
- “Os juros estão altos” é impressão, e o banco responde que o contrato foi livremente pactuado. Comparação com série pública do Banco Central é outra conversa.
- 03Posição
Provisionamento e garantia definem a barganha
Quanto o banco já provisionou a operação e quão boa é a garantia que a sustenta. Os dois eixos colocam cada contrato num quadrante — e cada quadrante pede uma estratégia diferente.
- O que entrega
- O mapa de onde há poder de barganha e onde não há.
- Por que existe
- Duas empresas com o mesmo passivo, no mesmo banco, no mesmo mês, recebem propostas diferentes. Negociar o passivo em bloco destrói valor.
- 04Mesa
Negociar com número na mão
Primeiro quanto se deve, depois quanto disso é devido, só então como se paga. Discutir forma de pagamento antes de fechar o valor é aceitar o valor sem discussão.
- O que entrega
- Pedido concreto, contrato a contrato, na ordem certa.
- Por que existe
- Pedir desconto é pedir favor, e favor se nega. Apontar que parte do saldo é indevida é discutir o valor da obrigação — e isso o banco precisa responder tecnicamente.
Os artigos completos de cada fase estão em publicação ao longo de setembro. Assim que saem, o link aparece aqui.

Janaína Issa Gomes
O método é o que a Issa Law aplica em todo caso, e está publicado por escolha: cliente que entende a sequência cobra melhor o próprio advogado. Cada fase tem um artigo técnico aberto, com as fontes públicas que a sustentam — Registrato e SCR do Banco Central, séries de taxa média e as regras de provisionamento.
Conheça a advogadaPerguntas sobre o método
Por que o banco só entra na quarta fase?
Porque negociação sem número é súplica. As três primeiras fases produzem o que a empresa leva à mesa: o passivo real levantado, cada contrato auditado contra a taxa média do Banco Central e a posição de barganha classificada. Quem liga para o gerente antes disso está discutindo o número que o próprio credor informou.
Dá para pular alguma fase?
O Raio-X não. Tudo o que vem depois se apoia nele: não se audita contrato que não se sabe que existe, e não se negocia posição que não se conhece. As fases 2 e 3 podem andar em paralelo quando o passivo é pequeno e concentrado num banco só.
Quanto tempo leva o método inteiro?
O Raio-X e o Laudo costumam levar de duas a quatro semanas, dependendo de quantos contratos a empresa consegue reunir e de quanto precisa ser exigido do banco. A negociação extrajudicial vai de 30 a 90 dias. Discussão judicial é outro prazo, de 6 a 18 meses.
Serve para dívida que já foi vendida para fundo?
Serve, e o Raio-X é justamente onde isso aparece. O relatório do Banco Central mostra a operação cedida, o que muda quem é o credor, o que ele pagou pela carteira e, portanto, o desconto que ele consegue aceitar sem prejuízo.
A auditoria é feita à mão?
Não. O escritório usa sistema próprio que recalcula cada contrato e cruza com as séries de taxa média do Banco Central por modalidade e período. O que o advogado faz é a leitura jurídica do resultado — a conta é da máquina, a tese é da advogada.
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